TUMORES ( NEOPLASIAS ) DO TUBO DIGESTIVO

O QUE É UM TUMOR ?
Introdução
Como aparece o cancro ?
Tumores benignos - tumores malignos ( cancro )
Nomenclatura dos tumores
Diagnóstico Histológico
Invasão e metástases
Causas dos tumores
Introdução:
Emprega-se aqui a palavra tumor com o significado de neoplasia, de neoformação, ou seja, um conglomerado de células com proliferação incontrolada. Esta proliferação, este crescimento anormal é, geralmente irreversível. O estímulo responsável por esta proliferação incontrolável, não se identifica na maior parte das vezes e, por isso, se desconhece a causa da maior parte dos tumores.
Como APARECE o CANCRO?
O nosso organismo é constituído por células ( mais de duzentos milhões de células) e, no núcleo das células, existem os cromossomas (46 cromossomas) que contêm os genes. A informação genética está inscrita nos genes. São os genes que fornecem as instruções para o funcionamento das células.
Uma célula normal pode sofrer alterações nos seus genes. Chamamos a isso mutação genética. As células cujo material genético foi alterado passam a receber instruções erradas para as suas actividades. As alterações podem ocorrer em genes especiais (oncogenes), responsáveis pela malignização (cancerização) das células. Essas células diferentes são as células cancerosas.
O nosso organismo responde aos antigénios das células cancerosas tentando destruí-las através de mecanismos imunológicos: anticorpos, células NK e macrofagos. Esta vigilância do sistema imunitário às células cancerosas é por vezes ineficaz e, algumas células tumorais, escapam a essa vigilância.
As células cancerosas multiplicam-se de maneira descontrolada, mais rapidamente do que as células normais do tecido à sua volta e invadem-no. Além de invadirem os tecidos celulares à sua volta, as células cancerosas adquirem a capacidade de se desprender do tumor e de migrar através dos vasos sanguíneos e dos vasos linfáticos indo implantar-se em órgãos distantes, dando origem às metástases. O crescimento celular desordenado, a capacidade de invadir tecidos vizinhos e de enviar metástases para locais distantes (fígado, pulmão, ossos, gânglios linfáticos etc.) são as características que definem o cancro e, que o distinguem do tumor benigno, que não invade nem metastiza.
Tumor benigno - tumor maligno ( cancro ):
Os tumores benignos não são cancros. Permanecem localizados na área onde se
originam, não invadem, não infiltram os tecidos vizinhos nem se disseminam à distância, ou
seja, não dão metástases.
Os tumores benignos, assim chamados porque geralmente não levam à morte, só serão mortais
se estiverem localizados em sítios críticos ou se derem origem a hemorragias
graves. No tubo digestivo, muito excepcionalmente um tumor benigno é causa de
morte. A hemorragia causada pelos tumores benignos do Aparelho Digestivo é, quase sempre, facilmente controlada
e o tumor é removido. A remoção dos tumores benignos do tubo digestivo faz-se,
na maior parte dos casos, em regime ambulatório, por métodos endoscópicos sem haver necessidade
de cirurgia nem de
internamento hospitalar.
Os tumores malignos ou cancros, têm a propriedade de invadir os tecidos contíguos ( o caranguejo que simboliza o cancro mostra um corpo central com as pernas que representam essa invasão ) e, de produzir metástases à distância através da corrente sanguínea e da via linfática, dando origem a novos tumores, em locais distantes. A maior parte dos tumores malignos, podem hoje ser tratados por meios cirúrgicos, químicos ou físicos. Com as actuais técnicas de tratamento ( cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia biológica ) é possível curar mais de 50% dos cancros.
Nomenclatura dos tumores:
Apenas vamos referir as neoplasias mais frequentes
do Aparelho Digestivo.
Os tumores benignos identificam-se pelo sufixo "oma" precedido
de alusão à célula que lhe deu origem. O tumor benigno constituído por
células de gordura ou lipídicas chama-se lipoma, o constituído por
células epiteliais chama-se adenoma, o constituído por células do
músculo liso chama-se leiomioma etc. etc.
Os tumores malignos identificam-se pelo sufixo " carcinoma"
para os cancros epiteliais e " sarcoma " para os cancros
que têm origem no tecido mesenquimatoso. Assim o cancro do estômago com
origem no tecido epitelial chama-se adenocarcinoma do estômago e o cancro
do estômago com origem no tecido muscular chama-se leiomiosarcoma do
estômago.
Há tumores que por razões históricas fogem a estas regras: o hepatoma
do fígado é um tumor maligno e o linfoma do estômago também.
Diagnóstico histológico dos tumores:
Na prática o diagnóstico dos tumores e a distinção entre tumor benigno e maligno é feita sem grandes problemas pelo médico patologista examinando um fragmento do tecido tumoral ao microscópio. A morfologia das células e a estrutura do tecido permitem, na maior parte dos casos afirmar ao médico patologista, se está perante um tecido tumoral e se esse tumor é benigno ou maligno.
Invasão e metástases dos tumores malignos:
Invadir os tecidos vizinhos e disseminar-se à
distância ( metastizar ) é uma característica dos tumores malignos.
As células dos tumores malignos no seu processo invasivo atingem
os vasos sanguíneos e os vasos linfáticos, atravessam a sua parede e
desprendem-se entrando na corrente sanguínea ou linfática atingindo a
microcirculação de outros órgão distantes e, depois de se alojarem no
tecido desse novo órgão, proliferam autonomamente. Assim dão origem num
órgão distante a um tumor com estrutura semelhante ao tumor primitivo.
Os tumores do abdómen ( estômago, pâncreas, intestinos ) através dos
vasos abdominais atingem facilmente o fígado onde dão metástases. O
pulmão e o encéfalo, são depois do fígado, os órgãos para onde os
tumores metastizam com maior frequência. Por via linfática, os gânglios
da vizinhança do órgão onde se localiza o tumor, são facilmente
atingidos pelas metástases.
Causas dos tumores:
As neoplasia desenvolvem-se em consequência duma
mutação genética que altera os mecanismos que regulam o crescimento das
células. Essas mutações activam os genes que estimulam o crescimento - proto-oncogenes
- ou inactivam os genes supressores do crescimento dos tumores - genes
supressores -. Essas mutações dos proto-oncogenes ou dos genes
supressores podem ser acelaradas por outras mutações de genes que
reparam as mutações do DNA - genes reparadores do DNA -.
Os factores conhecidos que estão envolvidos na patogenia das neoplasias
do Aparelho Digestivo são:
A idade
A hereditariedade - menos de 5% dos tumores têm uma base hereditária.
A exposição a factores cancerígenos do ambiente
Certas lesões pré-cancerosas
IDADE: São raras as neoplasias do Aparelho Digestivo antes dos 50 anos. Mais de 2/3 de todos os tumores aparecem depois dos 65 anos de idade. A frase tantas vezes ouvida " o cancro não escolhe idadesh " revela bem as noções erradas difundidas na população.
HEREDITARIEDADE: A hereditariedade está
relacionada com alguns - menos de 5 % - cancros do Aparelho Digestivo e
com menos de 1% dos cancros em geral. A
Polipose Adenomatosa Familiar do Cólon - PAF - uma doença rara,
autossómica dominante, é consequência da mutação dum gene
supressor: o gene APC localizado no cromossoma 5. O Carcinoma Hereditário sem
Polipose, também chamado síndrome de Lynch, responsável por cerca
de 3% a 5% dos cancros do cólon, está associado à mutação de vários ( 4
identificados ) genes reparadores do DNA, localizados no cromossoma
2, 3 e 7. Basta a mutação num desses genes para se produzir a doença. Também o carcinoma do pâncreas da
neoplasia endócrina MEN
tipo I, é causado por uma mutação hereditária dum gene supressor
localizado no cromossoma 11.
No entanto, a maior parte, mais de 90%, dos cancros do Aparelho Digestivo não parece
ter uma base hereditária. Em algumas famílias, há uma maior incidência de
determinado tumor - adenocarcinoma do estômago, adenocarcinoma do cólon
- mas o modelo de hereditariedade é pouco claro e,
são desconhecidos, genes responsáveis .
FACTORES CANCERÍGENOS DO AMBIENTE:
- Factores químicos e físicos:
aminas aromáticas - hepatoma
derivados dos sais biliares - carcinoma do cólon
ácido gástrico - carcinoma do esófago
gastrina - carcinóide do estômago
contraceptivos - hepatoma
tabaco - carcinoma do esófago
cloreto de polivinil - angiossarcoma do fígado
- Dieta:
aflotoxinas - hepatoma
nitrosaminas - adenocarcinoma do estômago
dieta pobre em fibra - adenocarcinoma do cólon
dieta pobre em proteínas - carcinoma do esófago
a alta incidência de cancro do estômago
em Portugal, tem sido atribuída à dieta rica em carne fumada.
- vírus:
vírus de Epstein-Barr - linfoma de Burkitt.
vírus da hepatite B e C - hepatoma.
vírus do papiloma: carcinoma do ânus.
- bactérias:
Helicobacter pylori - cancro do estômago
Streptococcus vobis - cancro do cólon
LESÕES PRÉ-CANCEROSA DO APARELHO DIGESTIVO:
São lesões com grande
probabilidade de evoluírem para cancro. Essa evolução, não
é inevitável. São múltiplas, mais de meia centena, as
lesões e situações do Tubo Digestivo que eventualmente poderão evoluir
para cancro.
* No esófago a mais importante é o Esófago de Barrett uma
complicação pouco frequente da Doença do Refluxo Gastro-esofágico. A
maneira de impedir que o Esófago de Barrett evolua para adenocarcinoma do
esófago põe problemas ainda sem eficaz solução.
* No estômago a
lesão pré-cancerosa mais importante é a
Metaplasia Intestinal tipo III. Também aqui é difícil impedir a
evolução para cancro.
* No cólon a lesão pré-cancerosa é por excelência o pólipo
adenomatoso.
O adenoma do cólon é um tumor benigno que é possível diagnosticar e extirpar por meios endoscópicos - polipectomia - e assim, impedir a sua evolução para cancro do cólon. Nem todos os adenomas evoluem para cancro mas, como é impossível sabermos quais são os que vão ou não ter essa evolução, temos que os tirar todos. O rastreio endoscópico do cancro do cólon, feito de 5 em 5 anos, com o fibrosigmoidoscópio, depois dos 50 anos de idade pode diminuir em 90% a incidência do cancro do cólon. No site da Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva - SPED - encontram-se conselhos para evitar o cancro do cólon, e perguntas e respostas sobre este cancro.
Na Internet pode ver: