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Rastreio do cancro do Cólon e Recto ( CCR ):

Rastreio ou despistagem é o conjunto de testes para detectar sinais de uma doença que poderá existir ou não. 

Várias técnicas de diagnóstico são utilizadas no rastreio do cancro do cólon e recto. Todas têm vantagens e desvantagens.

1 - Pesquisa de sangue oculto nas fezes - é barata e de fácil execução, mas em rigor, não é uma técnica de rastreio. o resultado deve ser interpretado com cuidado. Para alguns é uma técnica de pouco valor e até contraproducente.

2- Fibrosigmóidoscopia - é realizada com um aparelho flexível com 60 cm de comprimento. Exige uma limpeza simples do intestino. E execução é rápida e pouco incomodativa. Em Portugal mais de 85% dos pólipos estão ao alcance do sigmóidoscópio.

3- Colonoscopia esquerda - é executada com um colonoscópio (160 cm) mas a limpeza do intestino é simples. Com frequência permite ultrapassar os 100 cm e até observar o cólon quase todo. O cólon tem cerca de 130 cm.

4- Colonoscopia total. A limpeza do cólon é desagradável e a observação total do cólon pode ser dolorosa.

5- Clister Opaco - cada vez se usa menos.

6- Colonoscopia virtual

Devem fazer rastreio do Cancro do Cólon e Recto ( CCR ):

Os Indivíduos assintomáticos com idade >= 50 anos, 
sem factores de risco para CCR .

Os testes para a realização do rastreio são a  pesquisa periódica de sangue oculto nas fezes e a  fibrossigmoidoscopia 

  1. Pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF), deve ser feita anualmente. A presença de um teste positivo, implica a realização de colonoscopia total.

    A PSOF apresenta uma baixa sensibilidade, podendo falhar a detecção adenomas de risco e, mesmo de CCR, numa percentagem de 70%. Por outro lado, a presença de falsos positivos implica o recurso dispendioso e desnecessário a colonoscopias. Estas desvantagens da PSOF levam a que alguns peritos, não só considerem este teste sem interesse mas até perigoso. 

  2. Fibrossigmóidoscopia:
    Tem uma elevada sensibilidade na detecção de lesões. Deve ser realizada com periodicidade de 5 anos. Pólipos de <1 cm devem ser retirado com a pinça de biopsia e, caso sejam adenomas ou CCR, o doente deve efectuar colonoscopia total para avaliação do restante cólon. No caso de pólipos de >1 cm deve ser efectuada sempre colonoscopia total e polipectomia.

    Não permite observar todo o cólon mas  os argumentos favoráveis à fibrosigmóidoscopia no rastreio baseiam-se na evidência de que a maior parte das lesões, na população de risco médio, ocorrem no cólon distal e recto. Além disso a  preparação do intestino para o exame é simples e o exame é bem tolerado e os custos são inferiores à PSOF.

  3. PSOF combinada com fibrossigmoidoscopia. Não há demonstração de benefício na  combinação dos dois testes, não sendo, por isso, recomendável o seu uso.

Os indivíduos com risco aumentado
de vir a ter de Cancro do Cólon e Recto:

São considerados com risco aumentado de cancro do Cólon e Recto: I) Indivíduos com parentes de 1º grau com CCR; 2) Indivíduos pertencentes a famílias com Síndrome Hereditário de Cancro do Cólon e Recto Não Associado a Polipose; 3) Indivíduos pertencentes a famílias com Polipose Adenomatosa Familiar do Cólon; 

  1. Indivíduos com parentes de 1º grau com CCR

    Recomenda-se a realização de fibrosigmoidoscopia a partir dos 40 anos, com periodicidade de 5 anos. 

  2. Síndrome Hereditário de CCR Sem Polipose ( antigo Síndrome de Lynch )

    Doença autossómica dominante, com risco muito elevado de CCR e sendo responsável por cerca de 3-5% dos casos.

    Definida pelos critérios de Amesterdão: três ou mais parentes com CCR, um de primeiro grau dos outros dois; duas gerações atingidas, um CCR diagnosticado antes dos 50 anos.

    Os portadores genéticos e todos os indivíduos em risco, caso o diagnóstico genético não seja informativo, ou não tenha sido realizado, devem ser submetidos a colonoscopia total com início entre os 20-30 anos, com periodicidade de 1-2 anos a qual deve passar a anual a partir dos 4 anos.

    A determinação de um verdadeiro não portador, no estudo genético, permite libertá-lo do programa de vigilância de risco aumentado.

  3. Polipose Adenomatosa Familiar do Cólon

    Doença hereditária com transmissão autossómica dominante, responsável por < 0.5 % dos casos de CCR e definida geralmente pela presença de mais de 100 adenomas no cólon e recto.

    Nos portadores do defeito genético, o risco de desenvolvimento de CCR é de cerca de 100%.

    O diagnóstico genético deve ser oferecido a partir da puberdade para definição do estado do portador. Nos portadores ou naqueles com teste genético não informativo ou não realizado, deve ser efectuada fibrossigmoidoscopia anual, desde os 11 anos. Se a polipose for detectada, o doente deve ser proposto para colectomia profiláctica, geralmente aos 18-20 anos.

    A determinação de um verdadeiro não portador do gene, no estudo genético, permite libertá-lo do programa de vigilância de risco aumentado.

CCR= Cancro do Cólon e Recto
PSOF= Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes

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Carlos Carvalheira
c.carvalheira@sapo.pt