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GASTRENTEROLOGIA
Doenças do Aparelho Digestivo

GLOSSÁRIO 

AMBULATÓRIO:
Regime do doente que não necessita de estar acamado.

BILIRRUBINA:
A bilirrubina, que existe normalmente no sangue, resulta essencialmente da degradação dos globos vermelhos. Durante a travessia pelos vasos sanguíneos do fígado a bilirrubina é captada pelas células do fígado e segredada com a bílis para o intestino. A cor das fezes é, em parte, divida à presença dos produtos de degradação de bilirrubina.   

BIOPSIA DO FÍGADO ( biopsia hepática ):
É
executada com uma agulha fina, que se introduz através da pele previamente anestesiada. É uma técnica simples que pode ser praticada sem obrigatório internamento hospitalar, embora habitualmente, se faça um internamento de 24 horas. Permite retirar um pequeno fragmento de fígado para ser examinado ao microscópio e assim esclarecer um diagnóstico duvidoso ou informar sobre a evolução da doença. 

CÁLCULO: Deriva do latim " calculu " e eram pequenas pedras de que os romanos se serviam para contar. Podemos encontrar cálculos ou pedras em vários órgãos e cavidades dando origem à cálculose ou litíase ( lithos é a palavra grega que significa pedra ) do rim, da bexiga, da vesícula etc. 

CPRE ( Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica ):
Realizada com um gastroduodenoscópio de visão lateral, permite introduzir um contraste nos canais biliares e pancreáticos e assim diagnosticar doenças destes canais, mas sobretudo, permite atitudes terapêuticas, tais como: remoção de cálculos, dilatação de estenoses, colocação de próteses etc. É uma técnica invasiva pois  obriga à introdução do gastroduodenoscópio pela boca, até ao duodeno.

DIGESTÃO:
A digestão é a transformação dos alimentos, de maneira a poderem ser absorvidos. Os alimentos para serem absorvidos no intestino precisam de ser transformados: as gorduras em ácidos gordos, as proteínas em aminoácidos e os açucares em monossacáridos.

ECOGRAFIA ( ultra-sonografia ):
É uma técnica que se serve da reflexão ( do eco ), dos ultra-sons pela estrutura do corpo humano. 
No aparelho digestivo usa-se sobretudo no estudo da via biliar, do fígado e do pâncreas. É uma técnica não agressiva para o doente, rápida e barata. É excelente para detectar cálculos ( pedras ) na vesícula e árvore biliar, para detectar massas e quistos no fígado etc. O Eco-Doppler permite o estudo do fluxo do sangue nos artérias e veias.

ERRADICAR:
Eliminar, destruir um agente patogénico causador de doença.

ESTEATOSE: ver Fígado gordo

EROSÃO: é uma solução de continuidade superficial. No tubo digestivo as erosões atingem só a mucosa ou a mucosa e a submucosa poupando a camada muscular. Quando atinge a camada muscular chama-se úlcera.

FÍGADO GORDO: 
O fígado gordo ou esteatose do fígado é o depósito de gordura nas células do fígado que pode ser um fenómeno normal e atingir cerca de 10% das células.  É um achado muito frequente da ecografia hepática geralmente associado à obesidade ou ao álcool. 

FUNCIONAL:
Chamam-se Doenças Funcionais as doenças não orgânicas, para as quais não se encontra uma alteração nem estrutural nem bioquímica. Os estudos realizados quer ao sangue, quer bioquímicos, quer de imagem ( endoscópicos, radiológicos, ecográficos  etc.) são normais.

GASTRECTOMIA:
Técnica cirúrgica em que é ressacado parte do estômago ( gastrectomia parcial ) ou todo o estômago ( gastrectomia total ). É possível fazer uma vida praticamente normal sem ter estômago. A Vitamina B12 tem que ser injectada aos indivíduos submetidos a gastrectomia total, uma vez que, não tendo estômago para produzir factor intrínseco não se dá a absorção da Vitamina B12 no intestino delgado. 

GASTRITE:
Significa inflamação do estômago e pode ser aguda e crónica. As causas de gastrite podem ser muitas. A gastrite crónica causada pelo Helicobacter pylori é a infecção mais prevalente na humanidade ( atinge mais de 50% da população mundial ), mas à luz dos conhecimentos actuais não se lhe atribuem sintomas e não se recomenda a erradicação generalizada do helicobacter nestas circunstâncias.

HELICOBACTER PYLORI:
É uma bactéria localizada no estômago. Foi observada pelo australiano Rolin Warren em 1979 - prémio Nobel da Medicina 2005. Os mecanismos de contágio são mal conhecidos mas sabemos que tem uma prevalência de cerca de 50% na população adulta do mundo industrializado e atinge 90% da população adulta da África e América latina. Em Portugal cerca de 40% da crianças com 5 anos já estão contaminadas e acima dos 50 anos mais de 90% da população tem a bactéria no seu estômago. A maior parte das pessoas infectadas são saudáveis e assintomáticas e não necessitam de tratamento.

HEMORRÓIDECTOMIA:
Técnica cirúrgica em que é feita a excisão (ablação) das hemorróidas.

HEPATITE: 
Hepatite significa inflamação do fígado e pode ter múltiplas causas: vírus, bactérias, medicamentos, álcool, tóxicos etc. As hepatites podem ser agudas e crónicas. A hepatite crónica pode evoluir para cirrose e eventualmente para cancro do fígado. 

IDIOPÁTICO:
Doenças idiopáticas, são as doenças para as quais não se conhece uma causa. Doenças primitivas, de causa desconhecida.

INCUBAÇÃO:
O período de incubação duma doença infecciosa é. o tempo que vai desde o contágio até às primeira manifestações da doença.

PLACEBO:
medicamento inerte ministrado com fins sugestivos ou morais, que pode aliviar padecimentos unicamente pela fé que o doente tem nos seus poderes.
VER Medicamentos a fingir ( Expresso 2-9-2000 )

PREVALÊNCIA:

ÚLCERA:
É uma solução de continuidade, uma perda de substância, na pele ou nas mucosas. No tubo digestivo aúlcera atinge a mucosa a submucosa e a camada muscular. As úlcera podem ser agudas e crónicas.

ÚLCERA DO DUODENO:
É uma solução de continuidade no duodeno, uma perda de substância, quase sempre localizada no bulbo ( parte inicial do duodeno ). Pode ser aguda e crónica. Mais de 90% das úlceras crónicas do duodeno  estão associadas ao Helicobacter pylori e curam definitivamente quando este é erradicado. Os anti-inflamatório não esteróides ( AINE ) estão associados a menos de 5% das úlceras do duodeno. 

ÚLCERA DO ESTÔMAGO:
É uma solução de continuidade na mucosa do estômago. Pode ser aguda ou crónica. Cerca de 70% das úlceras crónicas do estômago  estão associadas ao Helicobacter pylori e curam definitivamente quando este é erradicado. Os anti-inflamatórios não esteróides ( AINE ) estão associados a cerca de 30% das úlceras do estômago.

ÚLCERA PÉPTICA:
Na designação " úlcera péptica " englobam-se as úlceras da extremidade distal do esófago, do estômago, do duodeno, do jejuno após gastrojejunostomia e do jejuno adjacente ao divertículo de Meckel.

   

Carlos Carvalheira
e-mail: carvalheira@gastro.pt
Web: gastroalgarve.com
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