ÚLCERA PÉPTICA - ÚLCERA DO ESTÔMAGO E ÚLCERA DO DUODENO
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Introdução: A úlcera é uma solução de continuidade, uma
perda de substância. A úlcera do estômago ou duodeno é
Quais as causas da úlcera do estômago e do duodeno ? 1 - Mais de 90% ( 90% a 100% ) das úlceras do duodeno e cerca de 70%
( 60% a 80% ) das
úlceras do estômago estão associadas ao Helicobacter pylori
e curam
definitivamente, na maior parte dos casos, quando este é erradicado do estômago. Como se manifesta a úlcera do estômago e do duodeno ?: A dor localiza-se na parte alta e central do abdómen, o epigastro ou região epigástrica, daí chamar-se dor epigástrica. A dor surge por crises, com frequência 1 a 3 horas depois das refeições, dor de vacuidade, por vezes acorda o doente durante a noite e, com frequência, acalma com a ingestão de alimentos ou antiácidos. A dor é o sintoma mais frequente mas a úlcera gástrica ou duodenal pode não causar qualquer sintoma ou manifestar-se por outras queixas dispépticas: desconforto no epigastro, enfartamento, náuseas, vómitos ou distensão. A úlcera do estômago e duodeno pode causar hemorragia que se manifesta por anemia ou que se manifesta por perda evidente de sangue pela boa ( hematémese ) e/ou pelo ânus ( melenas ). Outra complicação da úlcera do estômago ou duodeno é a perfuração da parede do estômago ou duodeno, dando origem a uma inflamação do peritoneu ( peritonite ) que terá que ser resolvida pela cirurgia. Como se faz o diagnóstico ?: A endoscopia tornou-se o método de eleição para demonstrar a existência da úlcera. A radiologia do estômago e duodeno mesmo com duplo contraste é hoje uma técnica pouco utilizada. Admite-se que a endoscopia possa fazer um diagnóstico correcto em mais de 95% das úlceras. A úlcera do estômago deve sempre ser biopsada para se ter a certeza que não é um cancro do estômago ulcerado. Essa certeza deve ser confirmada com nova endoscopia e biopsia 4 a 6 semanas depois. Estes cuidados não se justificam para a úlcera do duodeno que nunca é um cancro ulcerado.
Como se trata a úlcera do estômago e do duodeno?: Não tem indicação nenhuma dieta com restrição deste ou aquele alimento, nem se deve utilizar o leite como tratamento. Esta prática seguida durante mais de um século continuou a ser praticada, durante mais de 50 anos, depois de se ter demonstrado a sua inutilidade. Nas úlceras associadas ao Helicobacter pylori, que são a quase totalidade das úlceras do duodeno e a maior parte das úlceras do estômago, o médico faz o tratamento durante 1 ou 2 semanas com um medicamento anti-secretor ( que inibe a secreção de ácido no estômago ), associado a dois antibióticos ( terapêutica tripla porque é feita com 3 medicamentos). Se depois deste tratamento o helicobacter foi erradicado podemos dizer que a úlcera está curada. Nas úlceras sem Helicobacter pylori, associadas aos anti-inflamatórios o médico emprega os anti-secretores durante 4 a 8 semanas e depois, como prevenção, sempre que forem utilizados os anti-inflamatórios. Nos casos raros em que a úlcera não está associada ao helicobacter ou aos anti-inflamatórios utilizam-se os anti-secretores sempre que for necessário. O tratamento cirúrgico da úlcera do estômago e do duodeno que, durante um século - 1870 a 1970 - foi considerado o tratamento de eleição, perdeu peso quando na década de 70 apareceram os primeiros anti-secretores, os antagonistas dos receptores H2 ( H2RA ) e reduziu-se quase a zero, com a descoberta do Helicobacter pylori, depois de 1983. O tratamento cirúrgico da úlcera é hoje raro e, apenas reservado, a algumas complicações: alguns casos de hemorragia, perfuração e estenose. A úlcera do estômago pode transformar-se em cancro?: Durante muitos anos acreditou-se que a úlcera benigna do estômago podia evoluir para cancro. Essa noção, sabemos hoje que não é verdadeira, mas, pode acontecer
que um cancro do estômago se apresente com o aspecto endoscópico de úlcera benigna. Por isso, a úlcera do
estômago é sempre biopsada para se ter a certeza de que não se trata dum cancro. O médico que faz a endoscopia, quase sempre pode, pelo aspecto da base e dos bordos da úlcera prever se a úlcera é benigna ou se é
um cancro mas, para ter a certeza absoluta, colhe alguns fragmentos da
úlcera para serem observados ao microscópio por um médico patologista.
E para não haver nenhum engano recomenda-se fazer nova endoscopia 4
a 6 semanas depois. Assuntos associados: Ver no Altas: Úlcera do estômago e Úlcera do duodeno |
Carlos Carvalheira
c.carvalheira@sapo.pt