GASTRITES - Erosões do estômago - Gastropatias
DUODENITES - Erosões do duodeno
Gastrite significa
inflamação do estômago.
Algumas das alterações, descritas nesta página, não são rigorosamente gastrites, porque não existe inflamação e por isso se designam por gastropatias.
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A gastrite aguda é, na maior parte dos casos, uma situação passageira que ou
cura em poucos dias ou evolui para a gastrite crónica. É, quase sempre, tão passageira que raramente se diagnostica mas, por vezes, toma a forma
erosiva ou hemorrágica (gastropatia erosiva ou gastropatia hemorrágica) e
pode causar perdas de sangue pela boca ( hematémeses ) ou pelo recto (
melenas ) obrigando-nos a ir à urgência do Hospital.
Causas de gastrite aguda:
Helicobacter pylori e outras bactérias, vírus, tóxicos...
Álcool
Anti-infamatórios não esteróides ( AINE )
Gastrite rádica. Pode ser uma complicação que aparece nas pessoas submetidas a tratamentos com radiações.
Stress grave dos queimados, dos traumatizados do crânio, dos doentes com insuficiência respiratória, dos doentes com sepsia.
O H. pylori,
a ingestão de álcool ou de aspirina e outros medicamentos anti-inflamatórios são
a causa mais frequente de gastrite aguda ou gastropatia erosiva.
O Helicobacter pylori causa uma gastrite aguda transitória, por isso, mal
conhecida, que poderá causar dor epigástrica, mal-estar, náuseas etc., mas que
evolui em poucos dias para gastrite crónica.
A GASTROENTERITE é uma inflamação aguda do estômago ( gastrite ) e intestino ( enterite ), muito frequente e, na maior parte dos casos relacionada com intoxicação alimentar. Além das náuseas e vómitos é acompanhada de diarreia . É uma doença que evolui para a cura em poucos dias. Ingerir líquidos para evitar a desidratação é quase sempre o tratamento suficiente.
Gastrite crónica:
Gastrite crónica pelo Helicobacter
pylori
: sabemos desde 1983 que a causa mais frequente de gastrite crónica é
uma bactéria: o Helicobacter pylori.
A gastrite crónica causada pelo Helicobacter pylori ( também designada por
gastrite B ), localizada sobretudo no antro do estômago, é uma das infecções
mais frequentes no mundo, atingindo mais de 50 % da humanidade e mais de 90%
dos adultos de alguns continentes e países ( África, América do sul,
Ásia). Em Portugal cerca de 50% das crianças com 8 anos de idade
já têm gastrite causada pelo Helicobacter pylori. O aspecto
endoscópico do estômago com gastrite crónica é normal ou ligeiramente
alterado. O diagnóstico da gastrite crónica faz-se, observando um fragmento
de estômago ao microscópio. A existência do
Helicobacter pylori na mucosa do estômago pode ser comprovada por
vários testes de fácil execução. Mas, fazer um teste para comprovar a
existência duma bactéria que, em Portugal, quase todos temos e, raramente justifica
tratamento, é na maior parte dos casos uma inutilidade.
A gastrite crónica pelo H. pylori que, quase todos os portugueses
adultos têm, raramente causa sintomas e, não se defende, como norma, o
seu tratamento, que seria a erradicação do Helicobacter pylori. ( A
erradicação do Helicobacter pylori deve fazer-se nas pessoas que têm
úlcera do estômago ou do duodeno ou
linfoma MALT ). Esta gastrite crónica, com o tempo, evolui para gastrite atrófica e depois para metaplasia intestinal.
Em conclusão: quase todos os portugueses adultos e,
mais de 50% da população mundial têm gastrite crónica causada pelo
Helicobacter pylori muito provavelmente assintomática.
As pessoas com queixas do estômago, a quem é dito que têm "gastrite", na maior parte dos casos as queixas estão relacionadas com a Dispepsia
Funcional. Se fizerem tratamento para eliminar Helicobater pylori quase sempre (mais de 95%) continuam com queixas - devem tratar a Dispepsia Funcional.
- Outras gastrites infecciosas: para além da gastrite pelo Helicobacter pylori e da gastrite granulomatosa da tuberculose e da sífilis, outras bactérias como o streptococcus, a Escherichia coli, o staphilococcus, o Clostridium podem ser, embora muito raramente, causa de gastrites graves, sobretudo em indivíduos debilitados, alcoólicos, com SIDA... As gastrites por fungos ( candida, histoplasma etc. ) assim como as gastrites por vírus ( cytomegalovírus, herpes vírus etc. ) são situações muito, muito raras. No entanto, nos indivíduos com SIDA é frequente encontrar gastrite pelo citomegalovírus ( CMV ), por cândidas e outros agentes.
Gastrite crónica auto-imune: também designada por gastrite A ou gastrite da Anemia Perniciosa. É pouco frequente em Portugal. Na Anemia Perniciosa há uma atrofia da mucosa gástrica em que desaparecem as células que produzem o factor intrínseco. O factor intrínseco é indispensável para que a absorção de vitamina B12 se faça no intestino delgado. A estes doentes, uma vez que não produzem factor intrínseco e por isso não absorvem Vitamina B12 esta vitamina terá que ser injectada, assim como aos doentes a quem foi retirado todo o estômago ( submetidos a gastrectomia total ). Geralmente faz-se uma injecção mensal de pelo menos 200 µg de Vitamina B12. A Anemia Perniciosa leva a lesões neurológicas graves.
Gastrite crónica dos anti-inflamatórios e do refluxo biliar - gastrite química. O uso continuado de medicamentos anti-inflamatórios e a bílis do refluxo biliar do duodeno para o estômago ou do refluxo biliar após cirurgia do estômago ( gastrectomia parcial ) podem ser causa de gastrite crónica.
Gastrites muito raras: Há outras gastrites crónicas muito raras:
- Gastrite granulomatosa: da doença de Crohn, da tuberculose, da sífilis, da sarcoidose etc.
- Gastrite a eosinófilos: entidade muito rara.
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Os doentes com esta gastrite devem ser seguidos na consulta de alergologia.
- Gastrite linfocítica: muitas vezes associada às pápulas umbilicadas e denominada gastropatia papulosa, por vezes também denominada gastrite varioliforme por causa do aspecto. Esta gastrite parece não causar sintomas e, não se conhece nenhum tratamento eficaz. É uma afecção anódina? Estará, pelo menos nalguns casos, relacionada com o helicobater?
- Doença de Ménétrier também chamada gastropatia hipertrófica ou gastrite de pregas gigantes: situação rara caracterizada por pregas gigantes no corpo do estômago associada a náuseas, diarreia e a perdas de proteínas, podendo dar origem a um edema generalizado. A causa é desconhecida.
A inflamação da mucosa do duodeno pode aparecer associada à gastrite
causada pelo H. pylori. Essa mucosa inflamada do bulbo duodenal pode ser substituída por mucosa do estômago e
ser colonizada pelo H. pylori. Admitem alguns peritos que esse será o mecanismo
inicial para o aparecimento da úlcera do duodeno.
Também alguns vírus, bactérias e parasitas podem invadir o duodeno e ser
causa de duodenite, mas são situações raras.
Por vezes a mucosa do duodeno tem aspecto nodular e, alguns chamam-lhe mesmo duodenite nodular. Ao exame microscópico nalguns casos observa-se uma duodenite, noutros observa-se mucosa gastrica e noutros hiperplasia das glândulas do duodeno ( glândulas de Brunner ). Não se sabe se estas alterações têm significado clínico.
Assunto relacionado:
Helicobacter pylori
Anti-inflamatórios não esteróides -AINE
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Carlos Carvalheira
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